Source: Africa Press Organisation – Portuguese –
Apesar dos contínuos ventos contrários regionais e globais, África continua a demonstrar uma resiliência impressionante e mantém o seu estatuto de fronteira de crescimento global. Esta é a principal conclusão do relatório ‘Desempenho e Perspetivas Macroeconómicas Africanas de 2026’ (MEO), divulgado pelo Grupo Banco Africano de Desenvolvimento (www.AfDB.org) na segunda-feira, 30 de março de 2026, na sua sede, em Abidjan.
O relatório sublinha que África superou a média global em 2025, com o PIB real a subir para 4,2%, face aos 3,1% registados em 2024, ultrapassando confortavelmente a média mundial de 3,1%.
Uma conclusão fundamental do relatório é o aumento “generalizado”, com um crescimento superior a 5% em 22 países africanos e superior a 7% em seis, impulsionado pela diminuição das pressões inflacionistas, pela melhoria da gestão macroeconómica e por condições agrícolas favoráveis.
Outros destaques incluem:
- Prevê-se que o crescimento do PIB real de África estabilize nos 4,3% em 2026 e aumente ainda mais, para 4,5%, em 2027.
- 12 das 20 economias com crescimento mais rápido do mundo em 2025 eram africanas.
- Em 2025, a África Oriental manteve-se como a região com o crescimento mais rápido do continente (registando uma expansão do PIB de 6,4%), impulsionada pela acelaração do crescimento para 9,8% na Etiópia, 7,5% no Ruanda e 6,4% no Uganda.
- O crescimento do PIB per capita de África aumentou de 0,9% em 2023 para 1,1% em 2024 e 1,9% em 2025, mas continua a ser demasiado baixo para impulsionar uma rápida redução da pobreza.
- A inflação está a diminuir, com a inflação média estimada em 13,6% em 2025, abaixo dos 21,8% registados em 2024; estão previstas novas reduções para 2026 e 2027.
- O Investimento Direto Estrangeiro recuperou fortemente em 2024, aumentando mais de 75% para atingir 97 mil milhões de dólares.
- Os fluxos de remessas recuperaram fortemente em 2024, aumentando mais de 14% para 104,6 mil milhões de dólares — compensando o declínio de 6% registado em 2023 e tornando as remessas a maior fonte individual de financiamento externo não relacionado com a dívida, ultrapassando o investimento de carteira estrangeiro.
Nas suas observações durante o lançamento, o Presidente do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, Dr. Sidi Ould Tah, sublinhou que o continente enfrenta um “momento importante em que o mundo está a mudar, nem sempre a favor do continente africano”.
Citando um panorama difícil de crescente fragmentação geopolítica, tensões comerciais e fluxos globais de financiamento ao desenvolvimento em declínio, o Dr. Ould Tah posicionou a agenda dos Quatro Pontos Cardeais do Grupo Banco como um escudo estratégico vital, explicando que “cada um deles aborda diretamente os desafios que este relatório de Perspetivas Macroeconómicas identificou e quantificou”.
À luz dos recentes desenvolvimentos no Médio Oriente, o Dr. Ould Tah observou que a análise e as projeções do MEO 2026 “foram preparadas antes do início da crise atual” e acrescentou que o Grupo Banco e os seus parceiros, incluindo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, estão atualmente a avaliar as potenciais consequências da crise no continente.
Na sua apresentação detalhada, o Economista-Chefe do Grupo Banco e Vice-Presidente para a Governação Económica e Gestão do Conhecimento, Prof. Kevin Urama, manifestou-se otimista quanto ao facto de a crise atual ter um impacto limitado no panorama macroeconómico de África em 2026.
“África resistiu a choques anteriores e tem capacidade para recuperar depois, desde que não entremos em pânico e, em vez disso, apliquemos as medidas políticas adequadas”, afirmou. “Segundo as nossas estimativas, se a crise se prolongar para além de três meses, poderá causar uma queda de 0,2 pontos percentuais na taxa de crescimento económico de África em 2026”, acrescentou.
A apresentação foi seguida de um debate com um painel de especialistas que explorou as conclusões do relatório e as recomendações de políticas destinadas a sustentar o crescimento, reforçar os sistemas financeiros e mobilizar financiamento para o desenvolvimento em grande escala. Entre os membros do painel contavam-se Souleymane Diarrassouba, Ministro do Planeamento e Desenvolvimento da Costa do Marfim; Augustine Kpehe Ngafuan, Ministro das Finanças e do Planeamento do Desenvolvimento da Libéria; Mthuli Ncube, Ministro das Finanças do Zimbabué; Retselisitsoe Matlanyane, Ministro das Finanças e do Planeamento do Desenvolvimento do Lesoto; e Aminata Toure, Representante Residente do Fundo Monetário Internacional na Costa do Marfim.
Os membros do painel salientaram a importância de sustentar as reformas ligadas à mobilização de recursos internos, incluindo o aprofundamento dos mercados locais de ações e de rendimento fixo, e de ampliar os esforços de digitalização para melhorar a eficiência da cobrança de impostos. Partilharam também histórias de sucesso das reformas em curso nos seus respetivos países. Surgiu um consenso de que as experiências de África com choques podem posicionar o continente para tirar lições valiosas para enfrentar os desafios atuais e futuros.
O Grupo Banco Africano de Desenvolvimento publica o Relatório Macroeconómico semestralmente para complementar o seu Relatório Anual sobre as Perspetivas Económicas de África. O Dr. Ould Tah descreveu a série como uma demonstração do “compromisso do Banco em fornecer aos nossos países membros, aos nossos parceiros e aos nossos investidores a análise mais rigorosa, oportuna e exequível”.
Descarregue o Relatório MEO de África de 2026: [Inglês] (http://apo-opa.co/4s9M46w) | [Francês] (http://apo-opa.co/4v3uC6F) | [Português] (http://apo-opa.co/4bKING0) | [Árabe] (http://apo-opa.co/3NTLHPF)
Veja a gravação do evento: [YouTube – EN] (http://apo-opa.co/4scYNpd) | [YouTube – FR] (http://apo-opa.co/41IdrK7)
Distribuído pelo Grupo APO para African Development Bank Group (AfDB).
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Sobre o Grupo Banco Africano de Desenvolvimento:
O Grupo Banco Africano de Desenvolvimento é a principal instituição financeira de desenvolvimento em África. Inclui três entidades distintas: o Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB), o Fundo Africano de Desenvolvimento (ADF) e o Fundo Fiduciário da Nigéria (NTF). Presente no terreno em 41 países africanos, com uma representação externa no Japão, o Banco contribui para o desenvolvimento económico e o progresso social dos seus 54 Estados-membros.
Mais informações em www.AfDB.org/pt
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